Terça-feira, 4 de Setembro de 2012
Fragmentos

Encontrei uma folha de papel dobrada por entre os livros da escola. Não faço ideia de há quanto tempo escrevi isto... talvez dois meses... talvez mais. Sei que o fiz numa noite cujo sono resolveu fugir deixando no seu lugar uma vontade enorme de pegar numa caneta e num papel e, deitada na cama, escrever. Simplesmente escrever.

 

 

Algo a arrastava e fazia com que ela seguisse o caminho que estava a seguir naquele momento. Algo que ela indubitavelmente não controlava, mas desejava desesperadamente controlar. Porque iria ela voltar aquele lugar? Porque iria ela encontrar-se com ele, após todo aquele tempo? Perguntas estas que a invadiam na tentativa fracassada de obter respostas.

 

Uma carta tinha ela recebido na véspera. Ao principio, mal vira o remetente, decidira rasgá-la naquele exato e preciso momento. Não fora capaz. Fraca. Fraca como sempre. E como prova dessa fraqueza, ali estava ela agora, a dirigir-se para o local que ele combinara com ela através daquela folha de papel, com uma caligrafia tremida, porém madura e sincera.

 

Encostada a uma árvore, ela esperou por ele. Não tardou a ouvir o seu nome ser chamado. Aquela voz... Foi como uma rajada de vento frio, que a regelou até aos ossos e causou arrepios, contudo, foi também como uma suave brisa numa manhã quente de Primavera, abraçando-a com uma sensação apaziguadora. Virou-se instintivamente. E foi ali que obteve as respostas às perguntas formuladas pelo caminho, anteriormente. Ela voltará aquele lugar porque pura e simplesmente queria lá voltar e retomar a sentir tudo o que lá sentira. E ela tinha vindo encontrar-se com ele dado que era naquele ambiente que ela se sentia segura, feliz, completa, em casa.

 

Os olhos dele diziam mais que aquilo que ela tentava transparecer-lhe através dos seus. Um abraço apertado finalizou as suas conclusões e então ela soube: Estarem ambos ali não era uma escolha, era uma necessidade.



Publicado por Sara Pagani às 21:49
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