Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Paradoxo revelador

 

O brilho do sol ofuscava-lhe os olhos e mal conseguia ver perante toda aquela claridade. De repente, aquele brilho foi ganhando uma intensidade menor, até ser visível um vulto. Alguém. Não apenas e insignificantemente alguém. Um rosto conhecido, um olhar profundo e ternurento, um sorriso divinal e contagiante. Que fazia ele ali? Foi enquanto tentava arranjar respostas para aquela pergunta que o olhar de ambos se cruzou. Uma sensação estranha e indescritível envolveu-a.

 

Um novo raio de sol atingiu-a e ofuscou-a uma vez mais enquanto, confusa e meio inconscientemente, esfregava os olhos. Adormecera ali, naquele banco? O suor escorria-lhe pelo pescoço e a última sensação daquele suposto sonho invadiu-a. Fora tão real. O cansaço tomara conta dela e, aparentemente, o seu subconsciente levou-a até aquilo. Aquilo. Era assim que vira aquele curto sonho? Chamando-lhe aquilo, como se de uma banalidade, invulgar e subtil se tratasse? Era eventualmente, agora, algo sem importância? Um recordar involuntário, um caminhar para uns braços familiares, um tilintar de alegria ingénua por um olhar apaixonante onde se perde a noção de tudo em redor. Não parecia (e efetivamente não era) algo insignificante naquele mundo de onde tinha acordado. E no mundo real? Era nada? Era nulo o que sentira, naquele aparente paradoxo, até onde a sua mente fora arrastada, ao fechar os olhos por uma fração de segundos? Fora intensamente real, e sabia porquê. Não era um sonho, era uma memória. Podia levantar-se, correr e fugir de tudo, porém nunca conseguiria fugir de si própria, assim como daquilo que sabia e sentia.

 

Há involuntariedades e impulsos que se tem, dos quais não fazemos a mais pálida ideia do motivo, causa, ou fim, naquele momento onde tudo parece disparatado e sem sentido. Contudo, na verdade, talvez um dia venha a fazer sentido. Talvez um dia as coisas se encaixem com coerência lógica e se venha a saber o porquê. Tudo valeu e valerá a pena, nada foi nem será em vão.

Mas isso... isso já é outra história...



Publicado por Sara Pagani às 19:38
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