Terça-feira, 10 de Abril de 2012
Quando é que vais parar de fugir?

 

Prometera a si própria que não iria chorar, não por medo de transparecer fraqueza, mas sim por já não ter mais condições de sofrer. O som do comboio a chegar ecoou por toda a estação e ela, sem hesitar, pegou nas malas, quando um grito de uma criança se fez ouvir, ao longe, a chamar pelo nome dela.

 

Deixou cair as malas e ficou estática, a ver a criança correr na sua direcção. Pequenina e inocente, não lhe dando mais do que pela cintura, abraçou-a, a soluçar fortemente e a deixar com dificuldade as palavras sair, disse "Por favor... não vás embora!". E foi nesse preciso instante que quase se rendeu e ia deixando as emoções, que tanto ambicionavam sair, quase irromperam. Porém, conteve-se. Tinha de fazê-lo, por ambas. Afastou a criança suavemente, pôs-se de joelhos, explicou-lhe que tinha mesmo que ir e que esperava que ela fosse forte, como sabia que era e sempre fora. Perguntou-lhe como tinha chegado até ali e a resposta causou-lhe um arrepio: "Eu não vim sozinha... Sabes com quem vim."

 

Teria sido ele? O seu coração começou a acelarar descontroladamente e foi nesse momento que ela soube que tinha que ir. Já não restava mais tempo para hesitações e despedidas. Beijou a criança na testa, agarrou nas malas e caminhou em direção às portas abertas do comboio. 

 

- Tu estás a fugir!! É isso que tu estás a fazer! - a voz meiga e carinhosa deixara de o ser e transmitia agora algum rancor por entre aquele doce rosto molhado.

 

Ela parou, ao ouvir tais palavras, mesmo à entrada do comboio. Fechou os olhos, suspirou. Não olhou para trás e deu mais um passo, entrando assim e as portar fechando-se segundos depois. Ele tinha acabado de chegar, num passo apressado e exausto. Era ele que tinha vindo com a criança. Era ele que ali estava. Era aquele olhar que ela sabia que não poderia encarar pois impedi-la-ia de partir. O comboio partiu e foi aí que ela o viu, pela janela, onde pousou a mão e deixou, sem qualquer controlo, as lágrimas ganharem vida própria. Do lado de fora ficaram ambos a observá-la a ir, sem poder fazer nada. Ele desejava ter-lhe dito apenas uma única e só única palavra, agora era tarde. 

 

O percurso ia ser longo, e a noite já se aproximava. Ela pura e simplesmente não conseguia pensar em nada de tão cheia e confusa que tinha a cabeça. No meio de dezenas de perguntas que na sua mente pairavam, apenas uma se fez destacar, querendo desesperadamente uma resposta, sabendo que não a iria ter: Quando é que vais parar de fugir?



Publicado por Sara Pagani às 18:45
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1 comentário:
De Ana✿ a 11 de Abril de 2012 às 13:54

O meu também foi péssimo. Vim de propósito para uma aula laboratorial qque foi cancelada... Hate it!

Mas amanhã logo posto sobre isso, agora tenho que me ir enfiar nos livros... NoooOoOoO


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