Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Talvez nunca o venha a saber...

 

Sentada num banco comum, ela observava cada pedacinho do sol a desaparecer por entre os prédios. Não sabia ao certo o porquê, mas de algum modo tinha sido atraída para aquele lugar. Mas nada disso lhe interessava, simplesmente sentia-se bem ali.

 

Do lado oposto, ele, de alguma forma, também tinha sido atraído sem saber a razão, mas ao vê-la... recuou. Ficou durante uns minutos a olhar para ela e desejava secretamente saber no que estaria a pensar naquele preciso momento, com um olhar perdido a percorrer cada centímetro daquele magnífico pôr-do-sol. Voltou costas, deu meia dúzia de passos e parou. Olhou para o bolso e de lá tirou um pedaço de papel. Leu e releu aquilo que tinha escrito, até que a voz suave dela lhe pairou na mente, relembrando as suas últimas palavras: “Chega o dia em que simplesmente mudamos... os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas”. Com as mãos completamente a tremer, ele amachucou o papel e rasgou-o em pedacinhos. Olhou uma última vez para trás, e, assim como o que restava do sol, partiu.

 

Ela sentiu de repente uma brisa gélida tocar-lhe o corpo e um arrepio percorreu-lhe a espinha. Suspirou, e num murmurar deixou as palavras saírem: “Fiz o que precisava de ser feito...”.

Ouviu a sua própria voz, interiormente, a deixar pairar a questão: “Será?”.



Publicado por Sara Pagani às 13:11
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