Estou a tentar convencer-me a mim própria a esperar mais uns tempinhos para fazer mais um Question Time no blog, portanto vou atirando palha para aqui.

Aula de apoio de matemática. Depois de almoço. Calor insuportável. Cansaço e molesa extrema.
Stôr vêm, todo contente, com um sorriso maior do que o da minha sobrinha depois de receber cromos dos Gormitis (modernices... no meu tempo brincava-se com tazos! ou se se colecionava cromos era coisas de jeito, tipo Pokemon!), tira uma caneta vermelha da mala, e diz:
- Querem ver esta caneta vermelha escrever preto?
Das poucas pessoas que lá estavam, o silêncio foi unânime, e como que num "cri cri... cri cri..." ficamos a aguardar tal proeza.
O stôr abre então a caneta e faz um risco no quadro, obviamente vermelho. Fecha a caneta, começa a esfregá-la entre as mãos enquanto diz, perdido de riso, "Que raio... ainda à pouco escreveu preto". Volta a destapar a caneta e a fazer mais um risco, inevitavelmente vermelho. Volta a esfregar a caneta mais um bocadinho e desta vez escreve "Preto". Como se tivesse descoberto petróleo, desata numa felicidade tal: "AHAHAHAH VIRAM?!?! VIRAM??!!".
Eu juro que não sabia se havia de rir ou de chorar, por isso optei por fazer um pouco dos dois. Dei uma facepalm e ri-me até bater com a cabeça na mesa e virem-me as lágrimas aos olhos. Porque não venham com tretas, piadas secas destas não é todos os dias! Todas as canetas são tipo fucking rainbows! Escrevem as cores todas! É magnifico! É estupendo! Isto supera a Ciência! Isto supera tudo! Obrigada, stôr, por me fazer ver o mundo de outra forma. Agora tudo faz sentido! :')
Apesar de tudo e dizerem que é perfeitamente normal sentir ódio, não consegui deixar essa fúria correr-me nas veias e congelar-me o coração. A vida é demasiado curta para andarmos a desperdiça-la a chatearmo-nos com quem quer que seja. E no final, tudo aquilo serviu para quê? Para provar que somos fortes e que passámos por cima da situação? A cólera que sentimos faz apagar o que foi feito? Não. Nada faz. Revela sim a capacidade que temos para lidar com determinadas situações e o modo como nos deixamos afetar por elas. O propósito, lá está, não é se não o desespero de querermos substituir um sentimento por outro. Não temos necessariamente que o substituir, mas que outra forma haverá se também não o podemos apagar? Há que deixar ir. Deixar que uma brisa suave nos toque no rosto e que o sol brilhe sob a nossa pele, fechar os olhos e inspirar, por fim, deixar soltar um leve suspiro. Simplesmente deixar ir, até se tornar tão fácil, tão fácil como respirar.
Recordar é viver... e sempre será. ♥